Cano
Uma vila de raízes históricas, onde a vida comunitária e a paisagem agrícola se encontram
Caracterização
Área:
49,43 km²
Habitantes (2011):
1.266
Densidade:
25,6 hab/km²
A povoação de Cano situa-se na margem esquerda da Ribeira do Alcórrego e dista de Sousel cerca de oito quilómetros.
A estrutura urbana de Cano é, ainda hoje, determinada pelo núcleo setecentista onde estavam representados os poderes mais significativos e simbólicos da sociedade de então. Este núcleo mantém uma grande coerência como lugar central: é composto, entre outros equipamentos e serviços, pela sede da Junta de Freguesia e pelo Mercado, o lugar dos táxis, a Igreja da Misericórdia, diversas lojas e cafés, donde se destacava o «Café Central», símbolo de uma certa estruturação da centralidade urbana emergente nos núcleos que expressavam dinâmica nos anos 30-50, do século XX.
A paisagem urbana é estabilizada, dominada numa primeira impressão pelo imenso Rossio. A paisagem envolvente é enquadrada por uma primeira linha de hortas urbanas e uma segunda linha dominada pela cultura do olival. A principal atividade económica mantém-se a agricultura, assente na olivicultura e na exploração da cortiça e das plantações de tomate.
História
Relativamente ao curioso topónimo da freguesia, vários autores concordam com a explicação de que «foi da civilização romana que Cano herdou o seu nome, do latim Cannum, local de passagem de águas abundantes, foi a imagem natural e espontânea que borbulhou no espírito de quem queria batizar a terra onde se fixava e que lhe oferecia essas características» [J. Falcato. Brados do Alentejo, 1951]. Em estudos recentes, o Prof. João Richau levantou sérias dúvidas sobre a origem deste topónimo, não obstante característica acima descrita aparecer descrita ainda durante o séc. XX: «tal é a abundância de águas dentro da povoação que é dado aos seus habitantes o grande benefício de terem a fonte em sua casa» [Álbum Alentejano, Tomo III].
De acordo com o Prof. Richau a referência escrita mais antiga a Cano aparece num documento datado de 1260 e, aí, aparece exatamente com a grafia que hoje conhecemos. As dúvidas apresentadas pelo supracitado autor prendem-se com o facto de associar a palavra “cannum” a um local de águas abundantes pois, segundo ele, as palavras latinas com grafias aproximadas a essa têm significados totalmente distintos (“canum” relativo a cães; “canus” relativo a cabelos brancos; e “cano” relativo a cantar ou tocar instrumento musical). A hipótese mais forte prende-se com uma eventual origem árabe do topónimo, relacionando-o com a palavra “qanāt” que significa “túnel subterrâneo para irrigação”, pois afloramentos de água subterrânea sempre existiram nesta zona.
Se quisermos considerar uma proveniência latina do topónimo, o Prof. Richau defende que teremos de ir à palavra “canna” (uma vez que “cannum” só existiria por declinação). Dependendo do contexto, “canna” pode significar junco, cana ou caniço, entre outros significados, e neste caso o significado seria derivado da existência destas espécies vegetais que aliás são muito comuns em zonas alagadas.
Apesar da discussão sobre a origem do topónimo “Cano” ficar em aberto, certo é que esta povoação terá sido a mais antiga povoação do Concelho de Sousel. No Sítio da Represa foram encontrados vestígios de um antigo povoado, tais como alicerces, blocos de granito facetado e o resto de uma antiga barragem, vulgarmente denominada Ponte de Mouros.
Cano pertenceu à Ordem e Comarca de Avis, foi sede de Concelho durante mais de quatro séculos e teve foral concedido por D. Manuel, em Santarém, no dia 1 de Novembro de 1512. Teve Câmara e cadeia. Em 1527, segundo o Cadastro da População do Reino, o Concelho contava apenas com a freguesia de Cano, com 114 moradores na vila e 10 casais no seu termo. A atual Misericórdia, fundada pelo povo no século XVI, derivou da albergaria que o Rei D. Manuel I fundou na vila. O Concelho de Cano foi extinto a 23 de Dezembro de 1836, passando a integrar o vizinho Concelho de Sousel desde essa data. Tinha, na altura, 236 fogos e 871 habitantes, e compunha-se das freguesias de Cano e de Casa Branca.
Nos anos 30 do século XX, a população da freguesia de Cano ocupava-se da faina agrícola e pecuária. A freguesia produzia e exportava, em abundância, cereais, legumes, cortiça, carvão e gado suíno de engorda. No entanto, a sua maior riqueza eram os extensos olivais que lhe permitiam a exportação de azeite, havendo na altura dez lagares apropriados para o fabrico do mesmo.
Brasão
Armas: Escudo de ouro, cano vermelho posto em faixa e do qual jorram gotas de água azul e prata. Em chefe, flor-de-lis azul e, em ponta, uma gavela de trigo, sobreiro e oliveira, tudo de verde, esta última frutada de negro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: «CANO – SOUSEL». Ordenação heráldica do brasão e bandeira publicada no Diário da República, III Série de 20/07/2001.
Composição da Junta de Freguesia de Cano
Euclides António Casaca da Silva
Presidente (Eleito pelo PS)
Patrícia Isabel Nunes Espadinha
João António Lista Pintão
Tesoureiro (Eleito pelo PS)
Assembleia de Freguesia
Manuel Capela Lopes Patarrana
Presidente (Eleito pelo PS)
Ana Paula Brazão Lino Gonçalves
Lídia Isabel Caeiro Palhais
2ª Secretária (Eleita pelo PS)
Contactos e Localização
Praça da República, 7470-023 Cano
Telefone: 268 549 493
Fax: 268 549 280
E-mail: geral@jf-cano.pt
Horário de Atendimento
Seg-Sex 9.00h – 12.30h | 14.00h – 17.00h