Arquivo Municipal

Gestão, organização e disponibilização do património documental municipal

O Arquivo

O Arquivo Municipal de Sousel visa implementar as melhores práticas de gestão documental integrada, num esforço para melhorar continuamente, com objetivos de eficácia e eficiência.

Além dos seus serviços de gestão documental, organiza os diversos fundos documentais e fornece a documentação/informação aos clientes internos e externos da Câmara Municipal de Sousel.

Posturas Municipais

Inicialmente, as posturas surgiram como sendo uma lei emanada do rei, ou deste em conjunto com as cortes. As posturas eram as normas e disposições municipais deliberadas pela Câmara com o objetivo de regulamentar a atividade socioeconómica do concelho e os costumes locais.

No livro de Posturas de 1743-1754 encontramos, por exemplo, posturas relacionadas com a limpeza: “Que se não lance imundície nos adros das igrejas nem se jogue neles” (fl.5), com a venda de gado: “Que não se vendam porcos criados no termo desta vila para fora sem que primeiro os tragam a vender ao couto” (fl. 11) e também as normas sobre o que se podia ou não lavar no ribeiro da vila: “Sobre o proibição de se lavarem couros, peles de cascão ou de sal lãs ou meadas, tintas em os ribeiros desta vila” (fl. 30).

No Arquivo Municipal de Sousel encontramos 5 livros de Posturas que vão de [1519] até 1924, e que pertencem ao Fundo da Câmara Municipal de Sousel.
Cota – PT/AMSSL/CMS/B/A

Manifesto do Subsídio Literário

O Subsídio Literário foi um imposto criado através do Alvará de 10 de novembro de 1772. Este imposto tinha como objetivo financiar as reformas no campo da instrução, levadas a cabo pelo Marquês de Pombal. O imposto do subsídio literário tornou-se no único imposto que servia como base para as despesas com a instrução pública. É também determinado neste Alvará a criação de uma Junta do Subsídio Literário, a qual deveria ser presidia pele presidente da Real Mesa Sensória.

A cobrança deste subsídio era da responsabilidade dos Concelhos, mas a gestão da verba era entregue a uma Junta Central criada para este fim. Já o pagamento dos professores era um encargo que dizia respeito à Administração Central.

O imposto do subsídio literário recaía sobre o vinho, a aguardente e o vinagre. O pagamento do mesmo consistia em 1 real em cada canada de vinho, 140 réis em cada canada de aguardente e de 160 réis por cada pipa de vinagre. Este imposto foi extinto em 1857.

Existe no Arquivo Municipal de Sousel um livro sobre este tema – Manifesto do Subsídio Literário (1789-1799).

Cód. Referência – PT/AMSSL/CMS/F/A/004/0001
Referência:
Subsídio Literário. [Em linha] Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Subs%C3%ADdio_liter%C3%A1rio
http://www.snh2013.anpuh.org/resources/anais/27/1364599699_ARQUIVO_Reformaspombalinasnasprimeirasletras_inovacoesecontinuidades-Anpuh2013.pdf

História do Concelho

O Concelho

O Concelho de Sousel situa-se na região do Alto Alentejo e pertence ao Distrito de Portalegre. Concelho tipicamente alentejano é constituído por 4 freguesias: Casa Branca, Cano, Sousel e Santo Amaro, sendo que à freguesia de Casa Branca pertencem os lugares de Almadafe e Vale de Freixo. Mas nem sempre foi assim, o Concelho passou por diversas alterações de ordem administrativa ao logo dos séculos.
Umas das primeiras referências à região que hoje compõe o Concelho de Sousel encontra-se na Carta de Doação de 1211, assinada por D. Afonso II e onde as vilas de Cano e Sousel são integradas no território fundador da Ordem de Avis. Para além desta referência, destaca-se também neste documento a citação à Ribeira de Almadafe – aquam de Almadafe, representando este a referência documental mais antiga a um topónimo do Concelho de Sousel.
Em 1258, no Foral de Estremoz fala-se de Sousel como sendo uma propriedade do rei, ou seja, um reguengo. Mais tarde, em 1341, através de uma Carta de Privilégios assinada por D. Afonso IV, Sousel deixa de ser um reguengo e os seus habitantes comprometem-se a erguer um castelo. A autonomia de Sousel durou pouco, pois em 1382 é emitida uma Carta de Perdão aos habitantes de Sousel pela morte do juiz de Estremoz, Gonçalo Anes de Alter (morto em 1379, em Sousel), na condição de Sousel voltar a ser um reguengo.
Sousel é cedido a D. Nuno Álvares Pereira em 1408, através de uma Carta de Escambo, passando, por herança para a filha deste, D. Brites Pereira de Alvim que casou com D. Afonso, filho ilegítimo de D. João I, dando assim origem à Casa de Bragança.
A 1 de novembro de 1512 é dado Foral à Vila de Cano pelo rei D. Manuel I, o mesmo que a 13 de fevereiro de 1515 dá Foral à Vila de Sousel. Mas os forais apenas vieram clarificar a lista de direitos e deveres das vilas de Cano e de Sousel, não foram os forais que fizeram destas vilas Concelhos, estes já existiam há séculos, como o atestam diversas cartas régias de privilégio.
Do original do Foral Manuelino da Vila de Sousel pouco se sabe, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo não foi encontrado qualquer registo referente ao foral. Existe no Arquivo Histórico da Casa de Bragança apenas um treslado do mesmo, feito em 1598 pelo tabelião de Vila Viçosa Manuel d’Araújo e autenticada por Bernardo José de Figueiredo e Silva em 1798, como estando conforme o original. (Richau, 2022) Não se sabe se o Foral da Vila de Sousel ainda existe e, a existir, onde estará.
No que diz respeito ao Foral de Cano, o mesmo encontra-se em mau estado de conservação e está à guarda da Junta de Freguesia de Cano.

Passados alguns séculos, o concelho voltou a sofrer novas alterações. Em 1836, através da Reforma Administrativa é suprimido o Concelho de Cano, passando o mesmo a ser uma vila do Concelho de Sousel, que viria também a ser eliminado pela Reforma Administrativa de 1855 passando, com as quatro freguesias que o compunha – Cano, Casa Branca, Sousel e S. João Baptista da Ribeira, para o vizinho Concelho de Fronteira. Menos de dez anos depois, em 1863, Sousel voltou a ser restaurado, pelo Decreto de 10 de julho, sendo novamente suprimido, por Decreto de 20 de setembro de 1895, e anexado com as quatro freguesias que o compunham, ao Concelho de Estremoz. Três anos depois, o Concelho de Sousel foi restaurado na íntegra, pelo Decreto de 13 de janeiro de 1898.
As últimas alterações administrativas que o Concelho sofreu foi em 1932 quando, através do Decreto n.º 22:009 de 21 de dezembro, a freguesia de Santo Amaro é retirada ao Concelho de Fronteira e passa a integrar o de Sousel e em 1966, com a extinção da freguesia de S. João Baptista da Ribeira e integração da mesma na freguesia de Sousel.

Mapa do Concelho de Sousel

Em relação à gastronomia da região, destacamos as migas, a açorda e as sopas que tinham por base o pão.
A nível económico destaca-se no Concelho a produção de cereais, legumes e azeite e a criação de gado, com especial destaque para o gado ovino, sendo que atualmente Sousel é considerada a “Capital do Borrego”.
No que diz respeito a feiras destaca-se a Feira de São Miguel, realizada na vila de Sousel há mais de duzentos anos. No livro das Atas das Sessões de 1852-1854 é possível encontrar referências à arrematação do terreno da feira de S. Miguel: “Auto de arrematação do aluger do terreno em que hade ser colocada a feira de S. Miguel, desta villa feito a José Roque Júnior pela quantia de 35 mil réis”.
Mas a feira com referência histórica mais antiga até hoje encontrada é a feira de agosto da vila de Cano, referência essa encontrada num processo da Inquisição de 1643 (Richau, 2015). Esta feira volta a ser mencionada nas Memórias Paroquiais da vila de Cano, de 1758, “tem esta villa huma feira no dia vinte e quoatro de Agosto dia de S. Barttholomeu he franca e dura tres dias.” Destacar ainda que existiam na vila de Cano duas feiras, coisa muito pouco usual na época. Para além da Feira de Agosto existia também a chamada Feira Nova em outubro. Desconhece-se a data exata em que terá sido iniciada esta feira, provavelmente no século XX.

Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 3; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2022
Livro de Atas das Sessões da Câmara Municipal de Sousel – 1852-1854
Cano

Tal como Sousel, também é difícil saber a origem do topónimo de Cano. Uma das hipóteses mais difundidas e aquela que a maioria das pessoas acredita ser verdadeira, afirma que Cano deve o seu nome à abundância de água que existia naquele local, derivando a expressão Cano, do latim Cannum. Mas, de acordo com João Richau na obra Contributos para uma monografia sobre a Vila de Cano (2012), tal expressão não existe em latim, apenas existe a expressão canum e esta está associada a cães. Na perspetiva do autor “uma outra hipótese para explicar a origem do topónimo, (…) poderia ser um qualquer cano que irrigaria os pomares da Comenda a partir da Fonte dos Olhos, na Roça (…) não custa imaginar em qualquer outro local um cano transportador de águas abundantes, que poderia ter dado nome à terra.”
Mais recentemente o autor, seguindo outra linha de investigação, concluiu que o topónimo Cano é bastante utilizado na Comunidade Valenciana, e que o mesmo é considerado a forma masculina de cana, ou seja, o significado da palavra estaria associado à presença no local de várias plantas aquáticas, tais como canas, caniços e juncos, que em latim se designam por canna, hipótese conciliável com a existência do aquífero e da vila se situar numa zona alagada, devido ao vazamento contínuo de tal aquífero.
Com Foral concedido a 1 de novembro de 1512, pelo rei D. Manuel I, a vila de Cano foi sede de concelho, sendo suprimido pela Reforma Administrativa de Passos Manuel em 1836.
Vila com grande destaque histórico, é possível verificar através de documentação mais antiga, a importância que este concelho detinha. Prova disso são a Lista de Fogos Almas que há nas Terras de Portugal, conhecida como os Censos do Marquês de Abrantes, pedida por D. João V em 1732 e publicada em 1736, e as Memórias Paroquiais de 1758, mandadas fazer pelo Marquês de Pombal com o objetivo de saber as consequências para o país do grande terremoto de 1755.

Brasão da Vila de Cano

Em 1758 verifica-se que “a Vila de cano tinha 682 habitantes, repartidos por 183 fogos (…). A Vila de Cano tinha boas casas da Câmara, praça, prisão e pelourinho, açougue (talho) e casa de peixe. (…) Os moradores na Vila de Cano tinham vários privilégios antigo. Um, concedido por Frei Fernando Rodrigues, Mestre da Cavalaria da Ordem de Avis, datado de 1438, de 30 de agosto, concedendo autorização para semearem e colherem cereais e apascentar o gado no termo de Avis. Outro privilégio, concedido por D. Manuel I em Évora, em 28 de março de 1497, (…) seria uma confirmação de um mais antigo, concedido por D. Fernando, e que permitia aos moradores da vila cortar madeira no termo de Avis.”
Em relação ao Brazão e bandeira desta vila, temos as armas – escudo de ouro, um cano vermelho posto em faixa e de onde caem gotas de água nas extremidades, em chefe, flor-de-lis azul e, em ponta uma gavela de trigo, sobreiro e oliveira. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com letras pretas. Já a bandeira é composta por verde e amarelo, com cordões e borlas de ouro e verde e haste e lança de ouro.
Em termos festivos o destaque vai para a Festa do Dia da Freguesia (último fim-de-semana de junho) e as tradicionais Festas religiosas em honra de Nossa Senhora da Graça (por norma são realizadas no último fim-de-semana de julho).

Falcato, João; A Histórica Vila de Cano – Subsídios para uma monografia; Coimbra Ed.; Coimbra; 1951
Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 1; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2015
Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 3; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2022
Cano - Pontos históricos a destacar

Pelourinho de Cano
O Pelourinho foi erguido para festejar o Foral concedido à Vila por D. Manuel I em 1512. É coroado pelo símbolo da justiça e está junto ao edifício dos antigos Paços do Concelho, atualmente sede da Junta de Freguesia. Todos os forais recebiam uma representação visível: foral e pelourinho são um todo. O Pelourinho era a tradução pública do documento e o local de dignificação para esse documento. Do Pelourinho do Cano, conta-nos uma gravura antiga, o seguinte: “sobre pedra tosca restos do primitivo pelourinho, a elegante coluna manuelina sobrepujada da esfera armilar das descobertas, resultando o todo mais obra de arte do que no cenário próprio para expiação. A euforia em que se vivia tinha extensões no rendilhado marítimo das obras de arte da altura”.
Após muitos anos de negligência, durante os quais os fragmentos do antigo pelourinho foram dispersos por diversos locais, foi este novamente reconstruído e colocado oficialmente na praça em frente ao edifício dos Antigos Paços do Concelho de Cano, em abril de 1968. Do novo pelourinho, talvez a única peça original seja a esfera armilar.

 Pelourinho da Vila de Cano

Pelourinho da Vila de Cano

Igreja Matriz de Cano
A Igreja Matriz da vila de Cano é dedicada a Nossa Senhora da Graça. É um edifício imponente, de frontaria larga e alta, com pórtico e frontão de mármore e, sobre a cimalha, um frontão com dois coruchéus nas extremidades. À direita, uma torre alta com quatro olhais de arcos redondos, cúpula campanulada com quatro pequenos coruchéus.
Em frente à Igreja temos o Jardim Público, com fonte datada de 1918 e um busto em homenagem ao Dr. António Garção, médico que exerceu a profissão na vila de Cano e considerado benemérito do concelho de Sousel.

Igreja Matriz de Cano

Igreja Matriz de Cano

De acordo com Richau (2019), a igreja “tem fundações, paredes e outras estruturas, que remontam comprovadamente ao seculo XIII. O que não invalida que a igreja seja ainda mais antiga” . Prova disso é um documento de 1260, assinado pelos bispos de Évora e Guarda onde eram definidas as fronteiras das duas dioceses. Neste documento consta a Igreja Matriz de Cano e também a de Sousel, comprovando assim que ambas já existiam nesta altura.

 

Igreja da Misericórdia
A Santa Casa da Misericórdia de Cano é uma das instituições mais antigas do Concelho de Sousel, sendo o século XVI a data mais provável para a sua fundação. A Igreja da Misericórdia da freguesia de Cano é um edifício datado também do século XVI, e fica situada na parte de trás do edifício dos Antigos Paços do Concelho. É nesta igreja que se realizam os velórios da vila e devido ao estado do edifício, o mesmo foi recentemente alvo de vultuosas obras de beneficiação e restauro suportadas pelo Fundo Rainda Dona Leonor, da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, e pela Câmara Municipal de Sousel.
No exterior, o templo apresenta uma frontaria simples, com um pequeno adro à frente, gradeado de ferro forjado. Do lado direito do referido monumento, situa-se uma torre sineira, relativamente pequena e de pouca elevação. Na parte inferior do frontão está um pequeno óculo responsável pela iluminação natural do templo. No interior, a igreja é de uma só nave e a cobertura da mesma é de madeira. O altar-mor é de alvenaria. Perto deste estão duas lápides sepulcrais, sendo uma delas, referente a um clérigo da Misericórdia, datada de 1629.
Nas paredes laterais do edifício encontram-se duas telas originais, com pinturas a óleo, de cenas religiosas.

Igreja da Misericórdia da vila de Cano

Igreja da Misericórdia da vila de Cano

Capela de São Sebastião
Edifício relativamente pequeno, com uma frontaria simples. Não se sabe ao certo o ano de construção desta ermida dedicada a S. Sebastião, uma das primeiras referências a esta capela data de 1519, no âmbito da Visitação da Ordem de Avis. “Ermida de S. Sebastião, que ficava no termo da vila. Esta ermida tinha um altar de alvenaria coberto com uns pedaços de manto e com uma toalha velha de linho. Na parede, sobre este altar, encontrava-se uma imagem de S. Sebastião, bastante mal pintada, no entender dos visitadores. (…) Edificada com paredes de pedra e barro, guarnecida com cal, encontrava-se coberta de telha vã e mal reparada. (…) O povo reconstruíra esta ermida por sua devoção e reparavam-na aqueles que, igualmente por sua devoção, o queriam fazer. Não tinha renda nenhuma, nem fazenda” .
No seu exterior, ao centro, por cima da porta que dá acesso ao templo, encontra-se um pequeno óculo responsável pela iluminação natural da capela. No adro, à entrada do templo, está uma lápide sepulcral com a data de 1722.
No seu interior, a capela é de uma só nave, sendo o altar-mor em alvenaria apresentando ao centro a imagem de S. Sebastião ao qual a capela é consagrada.

Capela de São Sebastião - Cano

Capela de São Sebastião – Cano

Torre do Álamo
É o monumento mais enigmático do Concelho e aquele que gera mais polémica e disputa da sua pertença entre as freguesias de Casa Branca e de Cano, pois ambas o reclamam como património da sua freguesia. A famosa Torre do Álamo ou Torre de Camões situa-se na Herdade do Álamo, uma propriedade privada, e encontra-se em adiantado estado de degradação.
A Torre do Álamo deverá ter sido construída nos finais do século XIV ou início do século XV. No entanto, são bem visíveis da zona restos de construções romanas, como tegulae e imbrices, que provam a existência na zona de uma villa romana, onde outrora ocorria um cruzamento de vias romanas secundárias (Richau, 2019).
Pensa-se que devido à altura, localização e aspeto da torre, a mesma terá sido também utilizada para o desempenho de funções militares, servindo como uma atalaia que permitia a comunicação à distância com os castelos de Avis, Estremoz e Évoramonte. Devido à Serra de S. Bartolomeu, a comunicação com o castelo de Sousel era impossível.

Torre do Álamo (Torre de Camões)

Torre do Álamo (Torre de Camões)

João Falcato, A Histórica Vila do Cano – Subsídios para uma Monografia, ob. cit., pp. 7/ 8. in Machadinha, Ana Isabel; Património Histórico – Monumental Edificado no Concelho de Sousel; 2000.
Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 2; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2019
Casa Branca

Sobre uma extensa planície coberta por olivais a perder de vista, situada no fértil Vale de Freixo, junto à margem direita da Ribeira do Almadafe, assenta a freguesia de Casa Branca.
No que diz respeito à origem do topónimo, a história mais conhecida é a de que o “nome tem fundamento numa casa caiada de branco, que se encontrava perto duma fonte. A princípio era a única casa que havia por aqueles sítios (…). Então, os viajantes quando passavam a essa casa e a essa fonte diziam que tinham passado à Casa Branca.” De acordo com o folclore popular, esta casa servia como referência aos padres da época que vinham de Évora e, ao passarem por esta casa sabiam estar perto do seu destino, Avis.
Mas, tal como os topónimos de Sousel e Cano é difícil comprovar a veracidade das histórias, uma vez que não existe qualquer prova documental acerca das mesmas. Sabe-se que a referência mais antiga e fidedigna ao nome Casa Branca data de 1532 e diz respeito a anotações de um monge francês, Claude de Bronseval, que visitou a Península Ibérica para inspecionar os monteiros filiados na Ordem de Cister (Richau, 2015): “12º dia – Partimos na parte da manhã, e encontrámo-nos em vales cortados por riachos e rios inundados, engrossados pelas chuvas recentes, que escorrem das montanhas. Vagámos sobre montes (…) e chegámos a um lugar muito miserável chamado Casa Branca. É um povoado na zona rural, que inclui seis ou oito casas, onde não fomos capazes de encontrar absolutamente nada. A partir daí, passámos por montanhas desertas até um vale em que atravessámos uma ponte de pedra sobre um rio chamado Tera. Não longe daí encontra-se, num local plano, uma cidade chamada Vimieiro.”

Brazão da freguesia de Casa Branca

Ao analisar os relatos do monge percebe-se que Casa Branca não estaria situada no mesmo sítio que atualmente, a norte e numa zona plana, mas sim a sul da Ribeira de Almadafe, numa zona montanhosa, o que pressupõem que Casa Branca estava fundada em terrenos do termo de Pavia. Não é possível definir com certeza a sua localização, sabe-se apenas que ficaria perto da ermida de S. Brás, santo da devoção dos habitantes que mesmo após a alteração da localização da aldeia, continuavam a deslocar-se a esta capela em fevereiro no dia do santo.
Casa Branca, na atual localização terá sido fundada em finais do século XVI, entre 1558 e 1578, quando o Conde de Sabugal, D. Duarte de Castelo Branco, resolveu dividir a sua herdade no termo de Avis em pequenas courelas. Atraídos por terrenos mais férteis, os habitantes ter-se-ão deslocados para aqui e fundado uma nova aldeia, com o mesmo nome (Richau, 2015).
É uma freguesia essencialmente rural, onde grande maioria da sua população ativa se dedica à agricultura, tendo esta e a indústria lagareira um papel preponderante na economia da freguesia. Destaca-se também o vinho produzido na Herdade do Mouchão.
No Brazão da freguesia temos “as armas, escudo de azul, uma asna de prata acompanhada em chefe à dextra de três espigas de trigo de ouro, atadas de vermelho no pé e, à sinistra, de um cacho de uvas de púrpura, folhado de prata; em contra-chefe um ramo de sobreiro de ouro, frutado do mesmo. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro.” A bandeira é branca, com cordões e borlas de prata e azul e haste e lança de ouro.

António de Carvalho Costa (1970) in Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 1; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2015
Claude de Bronseval (1970) in Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 1; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2015
Consultado em: https://www.heraldry-wiki.com/arms/websites/Portugal/www.fisicohomepage.hpg.ig.com.br/ssl-casabranca.htm
Casa Branca - Pontos históricos a destacar
Igreja Matriz de Casa Branca

Igreja Matriz de Casa Branca
A Igreja Matriz de Casa Branca, de invocação de Nossa Senhora da Graça está situada numa pequena praceta, no centro da povoação. A construção desta igreja terá sido iniciada, muito provavelmente, em 1579 após a população se mudar para a atual localização da aldeia. Esta mudança para longe da Ermida de São Brás fez com que fosse necessário construir uma igreja na aldeia nova. Mas, mesmo depois desta mudança, as pessoas continuavam a rumar à Ermida de São Brás, “A (ermida) que esta fora chamase de São Bras, e ao seu dia concorre a ela muita gente em romagem; no mesmo dia se faz ali no campo próximo a ermida hum mercado, o qual he livre. Esta ermida ainda que pertence a esta freguesia com tudo esta em termo da Villa de Pavia.”
Muito provavelmente, a Igreja de Nossa Senhora da Graça terá começado a funcionar em pleno, a partir de 1626, no livro de registo de óbitos da freguesia de Casa Branca menciona-se que os mortos eram enterrados na Igreja de Nossa Senhora da Graça e na Ermida de S. Miguel. (Richau, 2015).
Edifício de grandes dimensões, vimos na torra sineira esquerda duas janelas retangulares, uma delas falsa, uma janela circular, também falsa, e um relógio de sol. Na torre direita encontramos três janelas retangulares. Ambas as torres terminam em arco perfeito, tendo a torres esquerda um relógio no topo.
No interior da Igreja, ao centro está a imagem de Nossa Senhora da Graça, padroeira desta freguesia. O batistério encontra-se à esquerda, à entrada do templo. Na capela-mor e no corpo da igreja existem seis painéis com pinturas alusivas à vida da Virgem, todos com moldura e dosséis de talha dourada.
É nesta Igreja que são realizadas em agosto as tradicionais Festas em Honra de Nossa Senhora da Graça.

 

Igreja de São Miguel Arcanjo em Casa Branca

Igreja de S. Miguel Arcanjo (Igrejinha)
A Igreja de S. Miguel de Arcanjo, mais conhecida por Igrejinha pela população local, fica situada no Largo Cândido dos Reis. É nesta Igreja que são realizados os velórios da aldeia.
Esta ermida terá sido construída entre o século XVI e XVII. Em 1626, no livro de registo de óbitos da freguesia de Casa Branca já se menciona a ermida de São Miguel. A mesma volta a ser referida nas Memórias Paroquiais de 1758, pois sofreu danos com o terramoto de 1755.
É uma ermida de pequenas dimensões, apresentando no seu exterior um frontão recortado e um pequeno óculo para iluminação natural do templo. Apresenta na parte inferior do frontão e por cima da porta que dá acesso ao templo, um relevo com a imagem de S. Miguel Arcanjo. O interior é uma só nave, sendo o altar-mor em talha dourada. À direita encontra-se o altar de S. João Baptista e à esquerda está a imagem de Nossa Senhora do Carmo. No corpo da Igreja, do lado direito, está um pequeno altar com a imagem de S. Miguel Arcanjo.

 

Poço Largo
É um dos monumentos mais conhecidos da freguesia de Casa Branca, devido à sua forma arquitetónica original. Construído no final o século XIX, em 1896, este poço era muito importante para o povo, uma vez que era a principal fonte de abastecimento de água potável para toda a população da freguesia.
Este monumento compõe-se de quatro poços, com uma única nascente, sobressaindo ao centro uma pirâmide, da qual se destaca um poço em cada um dos lados.
Recentemente, e devido ao estado em que o monumento se encontrava, o mesmo foi alvo de obras de reparação e beneficiação, suportadas pela Junta de Freguesia de Casa Branca.Poço Largo – Casa Branca

Poço Largo – Casa Branca (2023)

(2023)

 

 

 

 

 

 

 

Ponte Dourada
Situada na Herdade do Mouchão na freguesia de Casa Branca, numa zona denominada Dourada, esta ponte do mesmo nome, é toda construída em pedra e por isso mesmo, também conhecida por Ponte de Pedra. Era antigamente a única ponte da freguesia e aquela que levava os caminhantes à outra margem, quando em tempo de chuvas, o ribeiro enchia.
É difícil perceber a data exata da construção desta ponte, mas não deverá ser anterior ao século XVI.

Consultado em: https://www.heraldry-wiki.com/arms/websites/Portugal/www.fisicohomepage.hpg.ig.com.br/ssl-casabranca.htm
Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 1; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2015
Santo Amaro

Santo Amaro está situado a oriente da vila de Sousel, na margem direita do Ribeiro do Lupe, numa típica paisagem alentejana. Esta é a freguesia mais recente do concelho e deve o seu nome ao Santo Amaro cuja imagem, de acordo com lendas da aldeia, foi encontrada numa zona de mato e onde posteriormente se ergueu uma ermita em louvor do dito santo, proclamado protetor da aldeia.
Apesar de ser impossível avançar com uma data específica para a formação da povoação, sabe-se, através de registos paroquiais que em 1644 já existia a aldeia de Santo Amaro.
Antes de pertencer ao Concelho de Sousel, esta freguesia pertenceu ao Concelho de Veiros até 1855 e, após a extinção deste, foi anexada ao Concelho de Fronteira, passando a pertencer ao Concelho de Sousel apenas em 1932.
O Brazão desta freguesia é composto pelas “armas – escudo negro, com livro aberto de prata, pintado de vermelho e brocante, bordão de ouro, com sudário de prata, nos cantões do chefe, com dois ferros de enxó de prata; em campanha, dois ramos de oliveira de ouro, frutadas do mesmo, com os pés passados em aspa. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro – Santo Amaro – Sousel.” A bandeira é amarela, com cordões e borlas de ouro e negro. Haste e lança de ouro.

Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 1; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2015

 

Santo Amaro - Pontos históricos a destacar

Igreja Matriz de Santo Amaro
A Igreja paroquial desta freguesia está situada à entrada da povoação e, de acordo com algumas informações foi construída no local onde se encontrou a imagem do Santo Amaro.

Igreja Matriz de Santo Amaro

Igreja Matriz de Santo Amaro

O edifício, que já sofreu muitas alterações ao longo dos anos, terá sido construído no século XV. De acordo com o Arquivo Distrital de Portalegre, a paróquia de Santo Amaro já existia em 1570 – “Antiga capelania da apresentação da Ordem de São Bento de Avis e, posteriormente, da Mesa de Consciência e Ordens. Pertenceu inicialmente à Dioceses de Elvas, onde se manteve até 1882. Pertence atualmente à Diocese de Évora, Arciprestado de Estremoz” . Prova concreta de que a igreja já existia em 1644 é o livro de registo paroquial.
Na parte exterior da capela-mor está a torre sineira, relativamente pequena e de pouca elevação com quatro olhais irregulares e remates recortados nas bordas. O interior da igreja é de uma só nave com teto de três esteiras, e está totalmente alterado em relação à traça original. Tem o corpo da igreja dois altares de alvenaria situados nos cantos do arco do cruzeiro enquanto o batistério e púlpito se encontram à esquerda.
No pequeno largo, em frente à Igreja Matriz de Santo Amaro encontra-se o cruzeiro feito em mármore, como padrão religioso desta freguesia.
Este templo consagrado a Nossa Senhora do Rosário recebe uma festa anual em honra da santa padroeira, no mês de agosto. E a festa anual do também padroeiro Santo Amaro, realiza-se durante o mês de janeiro, em data móvel.

Bênção do Gado
A Bênção do Gado é uma das tradições mais antigas desta aldeia. Esta festa secular é bem representativa da cultura alentejana, reunindo todos os anos centenas de pessoas na aldeia de Santo Amaro. Para além da parte religiosa da festa, onde o gado é benzido pelo pároco da aldeia, promovem-se os produtos endógenos da região, com destaque para o bolo branco, um ícone da freguesia.

Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 1; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2015
Sousel

Uma lenda sem qualquer fundamento histórico, mas muito enraizada na tradição popular e em documentos epigráficos da Vila, atribui a fundação de Sousel a uma frase pronunciada por D. Nuno Álvares Pereira na Batalha dos Atoleiros em 1384, “Ora sus a el”. Apesar de a história passar de geração em geração não tem o mínimo fundamento histórico, pois o topónimo “Sousel” aparece escrito 126 anos antes desta data, no Foral de Estremoz (1258) com a designação Reguengos de Sousel.
São vários os autores que tentaram explicar a origem do topónimo Sousel, há quem acredite na hipótese do nome estar ligado ao apelido Sousa, nomeadamente a D. Mendo Gonçalves de Sousa, conhecido como Mem Sousa, mordomo-mor do rei D. Sancho I, a quem este doou algumas terras, incluindo a zona que viria a ser Sousel. Outros abordam também a hipótese de Sousel derivar da abundante existência na zona do funcho Seseli.
Há ainda autores que defendem que o topónimo Sousel deriva do termo latino saxum, que significa rocha ou penedo, “o qual, com o passar dos tempos, originou Souso e, mais tarde, aplicou-se-lhe o diminutivo ello, originando Sousello, que por influência moçárabe teria dado Sousel.”
Outra lenda existente no Concelho é a que diz respeito ao Brazão do município. De acordo com a crença popular, em tempos passados o Concelho foi assolado por uma grande epidemia e, neste momento de grande aflição e angústia, a população orou a São Sebastião pedindo-lhe que os salvassem, ao que o Santo acudiu. A população, profundamente agradecida pediu à Câmara que construísse uma Capela em honra do dito Santo, a qual foi prontamente construída. Para além disso, o Brazão do Concelho passou a integrar a imagem do Santo. Apesar de a história ser uma lenda e não ser possível comprovar a veracidade dos fatos, é certo que o São Sebastião faz parte da história do Concelho. A Sala das Sessões dos Paços do Concelho ainda hoje exibe, na abobadilha, uma imagem em alto-relevo do mártir. Sabe-se também, através de informação encontrada no Livro das Atas das Sessões de 1852-1854, que existia em Sousel uma Feste em honra de São Sebastião.

Brasão do Município de Sousel

O Brazão e a bandeira do Município foram alteradas em 1933, sendo compostos por símbolos mais de acordo com a história e economia do Concelho. No Brazão encontramos o escudo azul, com duas setas de ouro cruzadas em aspa, atadas com uma fita vermelha e acompanhadas de quatro abelhas de ouro, o contrachefe adornado de prata e azul, uma coroa mural e quatro torres de prata, listel branco com letras petas. A bandeira é amarela, com cordões borlas, haste lança de ouro.
Sousel é terra antiga, de ruas estreitas e tortuosas e, ao contrário da grande maioria das povoações alentejanas, não é limitada por grandes propriedades. A explicação para essa situação é simples e prende-se com o facto de a história do Concelho estar associada à história da Casa de Bragança.

Em volta da vila havia terras coutadas pertencentes à dita Casa, que só foram dividias no século XIX. Com o objetivo de utilizar as pastagens existentes em redor da vila, foi criada uma associação de proprietário, denominada Comissão de Pastos do Povo que geria os pastos pertencentes aos membros da dita Comissão.
A Vila de Sousel é sede de Concelho, logo é a mais importante das quatro freguesias que o constituem e a mais desenvolvida a nível económico. Aqui se concentram os principais serviços ao dispor dos munícipes.
Antigamente, a economia da freguesia de Sousel estava marcada pela produção de cal, que contava com inúmeros fornos dispersos pelo enorme maciço calcário que circunda a vila a sudoeste. Estes fornos tinham especial relevância na vida da comunidade local e a cal era exportada, em grande quantidade, para outras regiões. Sousel possuía também fábricas de moagem, panificação, refinação de azeites e extração de óleos do bagaço. A atividade económica da vila era ainda marcada pelos inúmeros lagares de azeite, carpintarias, serralharias mecânicas e fornos de tijolo.

Fornos de cal em Sousel

Brasão da Freguesia de Sousel

No Brasão da freguesia de Sousel temos armas – escudo de ouro, com duas gavelas de trigo verde, atadas de vermelho e uma perdiz vermelha. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro com os dizeres Freguesia de Sousel. Já a bandeira tem fundo verde, cordões e borlas de outro e verde e haste e lança de ouro.

Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 1; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2015 (pp. 13)
Livro de Atas das Sessões da Câmara Municipal de Sousel – 1852-1854 (Fl. 133 v.)
Arquivo Municipal de Sousel – Comissão de Pastos do Povo, 1853-1903 (4 livros)
Sousel - Pontos históricos a destacar
Pelourinho de Sousel (2023)

Pelourinho de Sousel (2023)

Pelourinho de Sousel
O pelourinho é um símbolo da autonomia municipal, um sinal da lei e da justiça do passado. A sua construção está ligada à atribuição do Foral. Por norma, os pelourinhos eram construídos num lugar público, representavam o distintivo de jurisdição do concelho e da sua autonomia municipal.
O pelourinho de Sousel está situado ao lado do edifício da Câmara Municipal e foi restaurado a partir de alguns elementos originais que se encontravam dispersos, em 1919 “tendo esta Câmara diferentes pedras que constituem o antigo Pelourinho desta vila e sendo de todo conveniente a reconstituição do dito Pelourinho, pois que serve de marca militar de qualquer povoação que tinha os seus forais e servindo ao mesmo tempo para atestar às gerações futuras o grau de civilização de antigas eras; resolve esta Comissão enviar todos os esforços para que em breve prazo seja erguido esse padrão de glórias antigas, defronte dos Paços do Concelho, onde antigamente se erguia. Constando-lhe que há falta d’algumas pedras que se acham espalhadas por diferentes sítios de Sousel, a Câmara resolve indagar e fazer voltar para o município as referidas pedras a quem de direito pertencem.” [1]
O atual pelourinho não obedece aos desenhos mais antigos, pois os degraus eram todos da mesma altura e hexagonais, e os ganchos não faziam parte do pelourinho, visto que a Vila de Sousel, tinha as duas dignidades: o pelourinho e a forca, esta última situada na Tapada da Forca ou Horta do Sardinha.
O pelourinho de Sousel está classificado como Imóvel de Interesse Público através do Decreto nº 23122 de 10 de outubro de 1933.

 

Castelo dos Mouros - Sousel

Castelo dos Mouros – Sousel

Castelo de Sousel
Sousel era uma vila acastelada, existiu na vila um castelo cuja demolição se pensa ter sido concluída em 1913, denominado Castelo dos Mouros. Apesar de se estimar a destruição completa do castelo por volta de 1913, sabe-se através das Memórias Paroquiais de 1758 que as torres do castelo e as casas nobres que existiam no seu interior já estavam muito danificadas.
Encontramos nas Atas as Sessões da Câmara Municipal de Sousel várias referências ao Castelo de Sousel, na reunião de 26 de outubro de 1866 deliberou-se “pedir ao Governo de S. Majestade a concessão do arruinado Castelo deste vila, para nele se construir a Escola Primária desta vila, segundo planta dos testamenteiros do Conde de Ferreira e instruções do Governo.” Anos mais tarde, na sessão de 06 de abril de 1899 voltou a mencionar-se o Castelo da vila, “deliberou-se que se represente à Câmara dos Deputados solicitando que lhe seja cedido o castelo em ruínas que existe nesta vila para, com algumas alterações e no terreno adjacente, se fazer um mercado semanal.”
Sabe-se, através de referência nas Atas das Sessões que o Castelo foi cedido à Câmara pelo Governo Civil, em setembro de 1899. Mais tarde, na Sessão de 16 de janeiro de 1911 o vereador Lavaredas dá conhecimento do “desmoronamento do antigo castelo na parte junto aos torreões do lado do nascente” , ainda no mesmo ano, a Câmara deliberou construir um viaduto sobre o Ribeirinho junto ao Largo de N. Sr.ª da Orada, aproveitando para sua construção as pedras de granito do portão do antigo castelo em demolição.
Através de toda esta informação verificamos que o castelo se encontrava em muito mau estado e que as suas pedras foram utilizadas para várias construções ao longo da vila, incluindo o calcetamento de ruas.
Existe apenas uma imagem do castelo, não se sabe a sua origem nem a data em que foi tirada, mas percebe-se pela foto que o castelo de Sousel seria do mesmo tipo que o Castelo de Veiros. O Castelo de Sousel fazia parte de uma linha de defesa alentejana contra os mouros e castelhanos, no final do século XIV.

Quando se fala do Castelo de Sousel, uma das histórias com mais destaque é a do assalto ao castelo, pelos espanhóis, em 1662, no âmbito da Guerra da Restauração. Existem várias narrativas acerca deste acontecimento, na versão portuguesa este assalto levado a cabo pelos espanhóis foi um fracasso, enquanto na versão espanhola foi um autêntico sucesso. O certo é que em ambas as versões é possível verificar que o castelo já não se encontrava em bom estado, tendo já ruído em alguns pontos.

 

Igreja de Nossa Senhora da Orada

Igreja de Nossa Senhora da Orada

Igreja de Nossa Senhora da Orada
De acordo com a tradição local a Igreja de Nossa Senhora da Orada foi mandada construir por D. Nuno Álvares Pereira no sítio onde este orou antes da Batalha dos Atoleiro. A igreja foi mandada construir pelo Condestável, entre 1415 e 1422, no âmbito das suas funções de Fronteiro-mor do Alentejo (Richau, 2022).
A igreja foi profundamente reformulada no século XVIII e do edifício original nada mais resta do que possivelmente a abóboda que está sob o coro. O templo desenha um retângulo maior e dois mais pequenos, respetivamente o espaço da sacristia e da capela-mor. A torre sineira está recuada face à fachada, e composta por cimalha ritmada por quatro fogaréus angulares, estando coberta por cúpula piriforme, sobrepujada por um cata-vento e cruz da Ordem de Avis.
O interior é composto por uma só nave, coberto por uma abóbada de berço pintado e contendo legendas referentes à consagração da igreja e a D. Nuno Álvares Pereira. As paredes são totalmente revestidas com azulejos barrocos azuis e brancos, dos princípios do século XVIII. Estes painéis cerâmicos com cercadura narram episódios da vida da Virgem e de D. Nuno Álvares Pereira.
Junto à porta da entrada está uma pia de água benta de mármore e que deve ser a da igreja primitiva. No chão lajeado, vêem-se algumas campas com epitáfios dos séculos XVI e XVII. Esta igreja foi classificada como Imóvel de Interesse Público no ano de 1962.
Atualmente, devido ao estado de profunda degradação do edifício, o mesmo está a sofrer avultadas obras de beneficiação e restauro.

 

Igreja Matriz de Sousel (2023)

Igreja Matriz de Sousel (2023)

Igreja Matriz de Sousel
Documento datado de 1260 que define as fronteiras das dioceses de Évora e Guarda e assinado pelos respetivos bispos prova que a Igreja Matriz de Sousel e a de Cano já existiam nesta altura. Apesar de terem sofrido muitas alterações ao longo dos séculos, certo é que as estruturas são as mesmas.
A Igreja Matriz de Sousel, da invocação de Nossa Senhora da Graça, fica situada na parte mais alta da vila e outrora dentro do recinto do antigo castelo, hoje demolido.
No seu exterior, a igreja apresenta um aspeto acanhado, com a porta principal de arco de volta redonda e ombreiras de mármore. Tem acesso por uma escadaria e por uma rampa. Possui também uma entrada lateral com porta simples. Os cunhais são de cantaria aparelhada.

Igreja Matriz de Sousel (interior)

Igreja Matriz de Sousel (interior)

No interior, a igreja apresenta três naves com quatro tramos de cinco arcos redondos assentes sobre colunas de ordem toscana, com capitéis simples quadrados. Os arcos laterais estão embutidos nas paredes e constituem alguns deles enquadramentos aos altares do corpo da igreja. Os dois arcos da nave central estão metidos, em parte no coro, mas conservam toda a sua estrutura em bom estado.

Todo o pavimento da igreja é lajeado e contém numerosas campas dos séculos XVI, XVIII e XVIII, muitas delas brasonadas. O batistério é à esquerda com pia de mármore. O púlpito está adossado à terceira coluna da nave central.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Igreja do Convento de Santo António

Igreja do Convento de Santo António

Igreja do Convento de Santo António
A Igreja do Convento de Santo António, fundado em 1605, é também conhecida por Igreja do Convento dos Paulistas e fica situada no Largo do Convento na vila de Sousel. O edifício tem acesso por uma galilé com entradas de arcos redondos, apresentando a entrada principal um arco de volta abatida.
A frontaria é simples com um grande janelão, e à esquerda apresenta-se a torre quadrangular com olhais de arco redondo. O interior, de abóbada de berço, tem seis altares laterais embutidos em arcarias da parede.
A Igreja representa o único testemunho material do antigo Convento de Santo António, sendo um edifício de valor memorial e afetivo da vila de Sousel. Recentemente a Igreja foi classificada como Monumento de Interesse Público (Portaria 2/2023 de 3 de janeiro). Esta classificação justifica-se devido ao “seu interesse como testemunho simbólico ou religioso, à sua conceção arquitetónica e urbanística, à sua extensão e ao que nela se reflete do ponto de vista da memória coletiva, e às circunstâncias suscetíveis de acarretaram diminuição ou perda da sua perenidade ou integridade.”

Capela de Nossa Senhora do Carmo

Capela de Nossa Senhora do Carmo

Capela de Nossa Senhora do Carmo
No alto da Serra de S. Miguel, sensivelmente a cerca de três quilómetros da vila de Sousel, situa-se a capela de Nossa Senhora do Carmo, rodeada de uma paisagem natural com características únicas, contemplando lá do alto, um soberbo “mar” de oliveiras.
De acordo com as Memórias Paroquiais de 1758, esta ermida já se encontrava construída nesta época e era dedicada a S. Miguel.
No interior, a capela-mor tem o teto em rotunda e o altar em alvenaria. Possui esta capela, um eremitério anexo com algumas celas e dependências.

 

Praça de Touros Pedro Louceiro – Sousel

Praça de Touros Pedro Louceiro – Sousel

Praça de Touros Pedro Louceiro
No topo da Serra de S. Miguel, nas imediações da capela de Nossa Senhora do Carmo, encontra-se a praça de touros Pedro Louceiro, em homenagem ao famoso cavaleiro tauromáquico de Sousel.
Considerada uma das praças mais antigas do país, crê-se que a sua construção data de meados do século XVIII, altura da reconstrução da capela de Nossa Senhora do Carmo.
Com base num cartaz de 1860, existente na Junta de Freguesia de Sousel, percebe-se que nesta altura já existiam corridas nesta praça, conhecida na altura como Praça da Serra, o que demonstra a sua antiguidade.

 

Livro de Atas as Sessões da Câmara Municipal de Sousel – 1913-1922
Livro de Atas das Sessões da Câmara Municipal de Sousel – 1865-1867
Livro de Atas das Sessões da Câmara Municipal de Sousel – 1899-1903
Livro de Atas das Sessões da Câmara Municipal de Sousel – 1910-1913
Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 2; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2019;
Consultado em: https://dre.pt/dre/detalhe/portaria/2-2023-205639910
Lugares

Almadafe
Apesar da crença popular de que Almadafe deriva da expressão “Alma da fé”, não existem dúvidas de que o topónimo deriva do árabe – al-madafa’a, que significa “o leito do rio – rio seco”, baseado na ribeira que existe no lugar. De todos os topónimos do Concelho de Sousel, Almadafe é aquele que possuí expressão mais antiga, sendo encontrado com a mesma grafia, num documento de 1211, Escrituras de Doação. É certo que, nesta altura o mesmo não se referia a um lugar habitado, mas sim a uma ribeira “Aquam de Almadafe” – Ribeira de Almadafe.
Desconhece-se a data exata em que Almadafe passou a ser uma povoação, uma vez que a mesma tem poucos habitantes e é composta por montes dispersos, sendo por isso incluída na freguesia de Casa Branca.

Vale de Freixo
Tal como o lugar de Almadafe, ignora-se a data de formação desta povoação. A referência documental mais antiga encontrada por João Richau é um testamento cerrado de Isabel Gonçalves, moradora no povoado de Vale de Freixo. Pensa-se que o lugar deve o nome ao fato de se localizar numa zona ampla, perto da Ribeira de Vale de Freixo, afluente da Ribeira de Almadafe.

S. João Baptista da Ribeira
A freguesia de São João Baptista da Ribeira pertenceu ao Concelho de Sousel, sendo extinta em 1966. Em 1732 no censo do Marquês de Abrantes, esta freguesia contava com 210 habitantes distribuídos por 30 fogos, mais tarde, em 1758 nas Memórias Paroquiais a freguesia apresentava o mesmo número de habitantes e 26 fogos.
Existe no Arquivo Distrital de Portalegre um livro de registo de casamentos realizados na paróquia de São João Baptista, com início em 1598. A última informação é um registo de óbito de 1911 (Richau, 2019).
Nos livros de Atas das Sessões da Câmara Municipal de Sousel encontram-se várias referências a esta freguesia anexa de Sousel. Em muitas sessões são realizadas arrematações de terrenos da freguesia de Sousel e a da anexa São João Baptista da Ribeira. Em 1863 é realizada a eleição do Juiz de Paz da freguesia de Sousel e de São João Baptista da Ribeira. Estas duas freguesias aparecem quase sempre associadas. Também no livro de Atas, na sessão de 22 de fevereiro de 1867, o Presidente da Câmara manda que seja realizado o recenseamento militar na freguesia de São João Baptista da Ribeira.
Atualmente não existe praticamente nada desta freguesia, no local apenas são visíveis as ruínas da Igreja Paroquial e de uma residência próxima. Para além destas é possível ver também os moinhos descritos nas Memórias Paroquiais de 1758, alguns em muito bom estado de conservação (Richau, 2019).

Richau, João; Sousel: Memórias do Concelho das suas gentes, vilas, aldeias e campos, Vol. 1; Bubok Publishing S.L; Portugal; 2015 (pp. 34)
Disponível no Arquivo Distrital de Portalegre
Livros das Atas das Sessões da Câmara Municipal de Sousel – 1863-1867
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